Capítulo 1

________________________________________________________________________________________________

 

 

Outro livro também presente na bibliografia é "A educação do deficiente no Brasil - dos primórdios ao início do séc. XXI" de Gilberta de Martino Januzzi.

Este livro analisa como se organizou a educação escolar dos alunos com limitações físicas, fisiológicas ou intelectuais no Brasil, abrangendo desde os seus primórdios, no século XVI, até os dias atuais.

Fundamenta-se no fato de que o modo de pensar e de agir com o diferente depende da organização social em seu conjunto, considerada a sua base material, ou seja, o modo como a produção é organizada e tem a ver com as descobertas das diversas ciências, com as crenças e as ideologias. Leva também em conta o modo como a diferença é apreendida pelos sujeitos em diferentes tempos e lugares, repercutindo na construção de sua própria identidade. A especificidade da educação especial procura, pois, ser entendida com base nos condicionantes materiais e culturais da organização social brasileira, que integra um mundo cada vez mais globalizado, bem como do contexto da educação regular, sendo que a autora intenta não apenas registrar os acontecimentos do período, mas refletir sobre as idéias que os animam.

O trabalho utiliza como fontes de consulta documentos governamentais, em especial os de âmbito nacional, que fornecem orientações gerais para as diferentes esferas administrativas; estudos produzidos nos cursos de pós-graduação; livros e artigos de revistas, especializadas ou não, e recorre às fontes primárias de documentação sobre o tema específico sempre que possível. Vale-se ainda de fontes secundárias, derivadas da História da Educação e da História Geral e do Brasil, para tecer os ambientes em que se desenrolam as ações e se forjam as posturas sobre os deficientes, possibilitando melhor entendê-las.

O livro está dividido em três capítulos que discorrem sobre as diferentes fases do tratamento dado à educação dos deficientes numa perspectiva cronológica. O primeiro, situa a questão desde o início da colonização portuguesa até os primórdios do século XX, período em que o país começou a industrializar-se. O segundo capítulo avança até a década de 1970, quando foi instituído o primeiro órgão responsável pela formulação da política de educação especial: o Centro Nacional de Educação Especial. O terceiro capítulo debruça-se sobre os acontecimentos das três últimas décadas do século e sobre as idéias que circularam no período, procurando chegar aos dias atuais.

Dá-se conta de que na época em que o Brasil era caracterizado como uma sociedade rural e desescolarizada, silenciava-se sobre o deficiente e escondia-se aqueles cuja presença mais causava desconforto. À medida que a educação primária ganha impulso, as primeiras iniciativas também são tomadas para atender aos deficientes. Posteriormente a defesa da sua educação torna-se conveniente do ponto de vista econômico, porque evita despesas com outras formas de atendimento institucionalizado, como os manicômios, asilos e penitenciárias. Passa-se então a propugnar que as pessoas portadoras de deficiência sejam incorporadas ao trabalho produtivo.

Contudo, como lembra Pedro Goergen na introdução que faz ao livro, a própria escola, com base em critérios pouco definidos de normalidade que não se sustentam do ponto de vista científico, incumbe-se de selecionar os "anormais", carreando expectativas sociais que servem para estigmatizá-los. A definição da anormalidade, para a qual a escola concorre de maneira significativa, está profundamente condicionada pelas conveniências da "normalidade" e configura um processo de segregação de parcelas da população com comportamentos dissonantes em relação às expectativas dominantes na sociedade. A relação entre a sociedade e a educação do deficiente ao longo das vicissitudes da história brasileira constitui assim o foco principal deste livro que se reveste de especial importância não só pelo cuidado com que busca reconstruir seu objeto específico de análise, mas também pela grande escassez de obras que se ocupem do tema.



Escrito por luty_st às 22h25
[ ] [ envie esta mensagem ]


Goffman


 

No momento estou lendo Estigma: Notas sobre a manipulação da identidade deteriorada, de Erving Goffman. A obra é uma interessante viagem pela situação de indivíduos incapazes de se confinarem aos padrões normalizados da sociedade. São indivíduos com deformações físicas, psíquicas ou com qualquer outra característica que os torne aos olhos dos outros diferentes e até inferiores e que lutam diária e constantemente para fortalecer e até construir uma identidade social.

Goffman analisa nesta obra, os sentimentos da pessoa estigmatizada sobre si própria e a sua relação com os outros ditos “normais”. Explora a variedade de estratégias que os estigmatizados empregam para lhe dar com a rejeição alheia e a complexidade de tipos de informação sobre si próprios que projetam nos outros. Este livro, entretanto, ocupa-se especificamente com a questão dos “contatos mistos”, os momentos em que os estigmatizados e os normais estão na mesma situação social, ou seja, na presença física imediata um do outro, quer durante uma conversa, quer na mera presença simultânea numa reunião informal.

 

OM 

Orientação e Mobilidade é a área da educação especial voltada à educação e as reabilitações de portadores de deficiência visual, sejam por problemas congênitos ou adquiridos. Utiliza-se para isto os sentidos remanescentes, tais como: tato, olfato, audição, percepção vestibular, visão residual, pontos de referência, pistas no decorrer do trajeto, bengala longa, cão guia, mapa braille, etc.

A Orientação e Mobilidade têm o objetivo de proporcionar ao deficiente visual autonomia na locomoção, autoconfiança, aumento da auto-estima e independência, elementos estes, facilitadores na sua integração social.




Escrito por luty_st às 19h06
[ ] [ envie esta mensagem ]


Entrevista


Isabell Machado é agente cultural do Cinema BR em Movimento e coordenadora do Ponto de Cultura Cinema em Palavras, projeto que trabalha pela inclusão social, cultural e digital de deficientes visuais. Filósofa e professora de História do Cinema, há sete anos ela exibe filmes para portadores de cegueira.

De onde surgiu a idéia de exibir filmes para deficientes visuais?

 - Quando estava cursando a faculdade de filosofia na Unicamp, em 2000, fui convidada pela coordenadora técnica do Centro Cultural Luis Braille, Eduarda Leme, para narrar filmes, atividade que ela havia já iniciado lá há alguns anos. Como na época eu havia estudado um filósofo do século XVIII, Denis Diderot, e lido de sua autoria, a "Carta sobre os cegos", iniciei então meu trabalho junto aos deficientes visuais do Braille, lendo e discutindo com eles o citado filósofo. Desse modo comecei a estudar outros filósofos que discutiam a metáfora do olhar e ampliar para outras esferas a atividade de cinema narrado e fazer dela, uma oportunidade para discutir além de filmes, a construção do conhecimento através de todos os sentidos e não só do olhar. 

De que maneira o cinema pode contribuir para a socialização de deficientes visuais?

 - O cinema é uma linguagem que retrata a cultura dos países, portanto, é uma ferramenta que conjugada com a filosofia ajuda o deficiente visual a construir seus conceitos, ampliar seus interesses e desenvolver sua autonomia cultural. Através dos debates sobre os filmes, as pessoas exercitam sua argumentação e adquirem segurança para viverem em sociedade. É somente a partir de oportunidades e da liberdade de se relacionar com o mundo que um indivíduo pode tornar-se cidadão.

Pessoas com cegueira congênita têm maior dificuldade por não possuírem referências visuais? Como se dá a construção do conhecimento em deficientes visuais a partir do cinema? 

  - É natural que as pessoas tenham dificuldade em pensar no modo pelo qual um deficiente visual congênito constrói seu conhecimento, pois não convivem com eles. A primeira coisa importante a dizer é que, assim como nós videntes temos um modo próprio de perceber e conceituar as coisas, os deficientes visuais também têm. Por isso, não é possível responder de um modo generalizado. Alguns têm muita facilidade para apreender, outros menos e outros grandes dificuldade. A segunda coisa importante a dizer é que, os deficientes visuais constroem seu conhecimento a partir dos conceitos e das referências visuais dos que vêem, mas constroem de modo próprio, com suas experiências, através de todos os sentidos que possuem como o tato, olfato, audição, etc. Voltando a sua pergunta, as dificuldades do deficiente visual apreender o que está sendo exibido, não decorrem da falta de referências visuais, mas da maneira pela qual elas foram transmitidas a eles de modo a formarem seus conceitos. É a falta de conceitos elaborados que pode dificultar a apreensão dos elementos fílmicos, assim como das idéias de um modo geral. 


 



Escrito por luty_st às 19h02
[ ] [ envie esta mensagem ]


Projeto Acesso


Na última quinta-feira, dia 14/09 realizei a segunda visita a cede do Projeto Acesso. O projeto tem como missão a “inclusão da criança com deficiência visual – cegueira congênita – no sistema regular de ensino”. Dirigido por Vera Lucia Lorenzzi, a quem agradeço pelo incentivo e apoio. Nessa segunda visita conheci sua filha, Marcela Mahayana, deficiente visual, também participei de uma aula de artes, onde pude perceber a nítida diferença de orientação entre uma pessoa que perdeu a visão e a que nunca viu mesmo essa perda acontecendo aos quatro anos de idade. Levantei algumas informações sobre a história da inclusão social. Em nossa discussão foram citados nomes como Denis Diderot, Jean Jacques Rousseau e Alvarez de Azevedo. Estarei publicando o material de caráter histórico nos próximos posts.

 

“Como é que você me achou aqui?” frase dita por Marcela após sua mãe a ter cumprimentado quando ela chegou à sala praticamente sem fazer nem um ruído.




Escrito por luty_st às 18h59
[ ] [ envie esta mensagem ]


Deficiência


O deficiente visual pode ser educacionalmente cego ou com baixa visão.

É considerado cego aquele que apresenta desde ausência total de visão até a perda da percepção luminosa. Sua aprendizagem se dará através da integração dos sentidos remanescentes preservados. Terá como principal meio de leitura e escrita o sistema Braille. Deverá, no entanto, ser incentivado a usar seu resíduo visual nas atividades de vida diária sempre que possível.

É considerado com baixa visão aquele que apresenta desde a capacidade de perceber luminosidade até o grau em que a deficiência visual interfira ou limite seu desempenho. Sua aprendizagem se dará através dos meios visuais, mesmo que sejam necessários recursos especiais.

As patologias que levam à deficiência visual incluem, principalmente, alterações das seguintes funções visuais: visão central, visão periférica e sensibilidade aos contrastes.

 

Religião, mitologia e cegueira

 

Nos templos bíblicos, a cegueira era um mal comum. Esta condição era freqüentemente encarada como uma punição por algum ato maligno ou como um traço do destino, só podendo ser revertida por Deus. Nos tempos bíblicos, os cegos estavam forçosamente condenados a uma vida de dificuldades e pobreza.

Alguns exemplos bíblicos de cegueira auto-infligida são os casos de Santa Luzia, padroeira dos cegos e doentes dos olhos, e S. Triduana e S. Medana, padroeiros da oftalmologia.

Seguem-se casos históricos, como o relatado por Marco Pólo, no séc. XIII. Ao chegar em Bagdá, soube da história de um sapateiro que destruíra o olho direito com uma sovela, sentindo-se culpado pelos pensamentos pecaminosos que teve ao ver exposta uma parte da perna de uma jovem mulher.

No século passado, o conhecimento da mitologia grega era essencial para qualquer pessoa poder considerar-se educada.

A mitologia também considera a cegueira como punição aos pecados. Provavelmente, os primeiros casos de cegueira auto-infligida foram relatados nas mitologias grega e nórdica. A história de Édipo nos é bem conhecida. Na literatura nórdica, diz-se que Odin deu um de seus olhos em troca do direito de beber um único gole na fonte de Mimir, cujas águas continham o dom da sabedoria e do entendimento.

A bela lenda de Lady Godiva nos conta que todos os habitantes da cidade esconderam-se por trás de suas venezianas fechadas a fim de tornar mais fácil a tarefa da senhora de cavalgar nua pelas ruas em pleno dia. O único homem que espiou através das venezianas o seu belo corpo desnudo foi punido com a cegueira.

Embora alguns estigmas da cegueira mencionados acima sejam parte do passado, também na sociedade moderna as pessoas cegas são evitadas, ignoradas ou superprotegidas.




Escrito por luty_st às 18h58
[ ] [ envie esta mensagem ]


Inspiração


Há dois anos tenho um livro de Saramago que já li e reli diversas vezes, em cada uma delas tive impressões e descobertas diferentes. Quando recebi a proposta do TGI não pude deixar de pensar em uma forma de encaixar um tema que tanto me fez refletir com o projeto que desenvolverei durante o último ano da faculdade. A seguir, um comentário a respeito do livro que me inspirou na escolha do tema:

Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago, é um livro que nos faz enxergar e, muito mais do que isso, nos faz temer a própria humanidade frente a uma situação de caos. A partir de uma súbita e inexplicável epidemia de cegueira, Saramago nos guia para a desorganização e a superação dos valores mais básicos da sociedade, transformando seus personagens em animais egoístas na sua luta pela sobrevivência.
O livro já começa duro e assustador. No segundo parágrafo deparamo-nos com o grito de um personagem: "Estou cego". E a maneira como Saramago escreve, com poucos pontos, muitas vírgulas e discurso corrente, faz com que os acontecimentos passem pela mente do leitor com uma velocidade incrível: vão-se cegando vários personagens sem que possamos dar uma pausa para respirar. E quando finalmente resolvemos parar, percebemos que o autor não deu nome à cidade, não datou os acontecimentos e manteve seus personagens anônimos, conhecidos apenas como "a mulher do médico", "o homem da venda preta", "a rapariga dos óculos escuros" ou "o cão das lágrimas". Deixando este relato tão aberto à imaginação do leitor, é impossível não temermos uma verdadeira epidemia, imaginarmos como agiriam as autoridades em uma situação como essa, como o medo faria vir à tona os instintos mais escondidos dos homens.
No entanto, entre tantos cegos presos em um manicômio por ordem governamental, existe uma mulher que ainda consegue enxergar. É a esposa do médico, a única que pode ver as belas e horrorosas imagens descritas pelo autor, seja o lindo banho de chuva das mulheres na varanda ou os cachorros que devoram o cadáver de um homem na rua. Ela não sabe se é abençoada ou amaldiçoada por poder enxergar em uma terra de cegos.
Da mesma forma, o velho da venda preta (apesar de antes da cegueira enxergar apenas com um dos olhos) relata o que acontece do lado de fora do manicômio, através das notícias do rádio e do que via quando ainda estava do lado de fora. É ele que abre os olhos do leitor para a realidade do mundo, o caos que pode-se instalar a qualquer momento, as atitudes impensadas de quem está no poder tentando isolar o problema ao invés de estudá-lo. Regras são quebradas, pois ninguém mais vê quem está agindo errado; os mais fortes abusam do poder; e o instinto de sobrevivência vai tomando conta dos homens.
Ao final de Ensaio sobre a Cegueira, o leitor está encantado com a literatura de Saramago e assustado com a dúvida que o autor nos coloca indiretamente: É assim que os homens verdadeiramente são? É preciso cegarem-se todos para que enxerguemos a essência de cada um?

"Este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso", disse José Saramago, por ocasião da apresentação pública do seu romance Ensaio sobre a Cegueira.


 



Escrito por luty_st às 16h30
[ ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]
 
Histórico
01/10/2006 a 07/10/2006
17/09/2006 a 23/09/2006




Bem-vindos
Sejam bem-vindos ao portfólio de TGI que começo a desenvolver neste semestre. Meu nome é Luciana Santos Tezoni, sou aluna do curso de Design Gráfico do Unicentro Belas Artes de São Paulo. Postarei aqui pesquisas, experiências e dicas sobre o tema desenvolvido.


Tema
"Divulgação e promoção das alternativas de inserção sócio-econômica e integração do deficiente visual no ambiente urbano da Grande São Paulo"

O foco do trabalho é promover um guia turístico da Grande São Paulo para o deficiente visual.


Orientador
Prof. Ms. Fabrizio Augusto Poltronieri


Bibliografia
"Ensaio sobre a cegueira" josé Saramago, Companhia das Letras

"Estigma - Notas sobre manipulação da identidade deteriorada" Erving Goffman

"A cegueira trocada em miúdos" Helena Flávia de Rezende Melo, Unicamp

"Os deficientes e seus pais" Leu Buscaglia, Record

"Orientação e mobilidade" João A. M. Felipe e Vera R. L. Felipe, Laramara

"Janela da Alma" filme de João Jardim e Walter Carvalho, Ravina Filmes


Links
 Laramara
 Dorina Nowill
 Brasil Acessível


TGIs
 Link a inserir1
 Link a inserir2
 Link a inserir3